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Viajando na Cordilheira

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Da janela lateral, vejo a cordilheira. Os dias têm sido generosos com sol e alguma nuvem de poluição, mas nada que atrapalhe o espetáculo. Quando cai a noite, então, a vista de cima do 19º. andar para Santiago iluminada é simplesmente linda! Não sei se é o momento, a situação ou a pessoa, mas está tudo diferente, tudo lindo, maravilhoso.  Estou curtindo bastante e de uma maneira bem especial essa nova vida no Chile. Quase não acredito no que estou vivendo. Ainda sinto bastante frio, apesar do solzinho gostoso diário. Também começou a batalha por uma nova oportunidade de trabalho. Tudo leva tempo e tem o seu devido momento. Muita paciência nessa hora. Parece que foi ontem que cheguei a Porto Alegre e estava manando currículos. Agora, são emails e comunicações com as pessoas que conheço e com quem tive a oportunidade de trabalhar para buscar um lugar ao sol novamente. Esse sol tão disputado que garante não apenas o dinheiro para pagar as contas, mas tamb...

Cruzando a linha de chegada

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Certa vez um colunista da revista Época escreveu que as mulheres apaixonadas são como um carro desgovernado. Claro que muitas de nós concordamos com isso e achamos até bonitinho um homem que fala assim sobre nós, mulheres. Mas até mesmo um carro desgovernado pode ficar sem combustível para terminar a viagem. Quando esse carro desgovernado fica parado no meio do caminho, de vez em quando, aparece um socorro. E o tal carro é conduzido com segurança ao seu destino final. Talvez seja por essa falta de sorte (ou excesso) que muitos carros desgovernados, ou melhor, que muitas mulheres apaixonadas acabam vivendo um grande amor. Sou mulher e realmente pareço um carro desgovernado quando estou apaixonada. Vivo intensamente as minhas paixões. Por vezes, esse carro termina batendo num poste, bem no meio do caminho e saio toda arrebentada da história. Nem sempre é assim. A vida é generosa com todos, inclusive, com as pessoas apaixonadas. Esse carro desgovernado que vos escreve já rodou uns...

Dias de luta, dias sem glória

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Estou de volta a Porto Alegre depois de dois meses intensos de muito trabalho. Infelizmente, meu candidato não foi eleito prefeito. Não consegui ficar triste ou deprimida porque sei que toda nossa equipe fez um belo trabalho. Além disso, lutamos contra uma máquina que compra votos com dinheiro público. Minha tranquilidade absoluta veio no dia seguinte ao das eleições quando fui visitar meu candidato. De tênis, calca jeans e camiseta, ele tomava um chimarrão no seu comércio. Perguntei a ele como estava e ele respondeu muito sereno: estou tranquilo, não comprei nenhum voto. Fiquei muito impressionada com as velhas práticas da política feia que observei nessa campanha eleitoral. Quando voltei de Brasília, queria trabalhar na campanha, sentir novamente a efervescência política, as bandeiras tremulando na rua, as pessoas gritando e cantando com entusiasmo. Ignorei o lado feio da política. De quem se aproveita da miséria para ganhar votos em troca de cesta básica, de uma cerveja, d...

Mundinho pequeno

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Morar numa cidade pequena é como colocar uma lente de aumento na alma do ser humano. Tudo aumenta, amplia, cresce, assombra e intimida. A gente percebe mais claramente a simplicidade das coisas, da vida e das pessoas. Vive intensamente momentos que passam batido na cidade grande. Aqui, plantei a minha primeira árvore. Ontem à noite, vi um céu estrelado, como há muito tempo não via. Mas não é só de romantismo e coisas boas que vivem as cidades pequenas. Domingo a cidade morre, literalmente. Nada fica aberto, nem os restaurantes. Cansei de contar a quantidade de vezes em que perguntaram: tu não é daqui né? Não é muito diferente do que ouvir em Brasília: você e gaúcha? Ou do que escutar em Santiago: Colombiana? Venezuelana? Ah, brasileña. Já me acostumei a ser uma estrangeira dentro do meu próprio país. Já fui estrangeira vivendo em outro país. Não consigo ter esse sentimento de pertencimento a nenhum lugar porque me sinto filha do vento e com direito sobre todo o espaço terre...

People are strange

Esse trabalho na campanha vai deixar muitas lembranças e várias histórias para contar. Algumas divertidas, outras deprimentes e muitas delas bizarras. Entre as mais esquisitas está o evento de ontem. Parada, na frente do hotel, esperando minha carona para mais uma noite de trabalho, um carro estacionado em frente abre a janela. O sujeito lá de dentro me cumprimenta e eu respondo educadamente, pensando que ele vai pedir alguma informação ou coisa do tipo. Não é nada disso. Na maior cara de pau ele me pergunta: quer fazer programa? Eu, pasma, pergunto: o que? E ele repete. Por alguns segundos não consigo assimilar o que está acontecendo. E novamente estarrecida pergunto: o que? Quando ele se dá conta de que cometeu um tremendo erro, fecha a janela e arranca o carro. Demorou um tempo para entender o que tinha acontecido. São situações como essa que fazem a gente se sentir muito mal num lugar estranho. A única coisa que supera são os comentários dos nativos com relação a quem vem...

in the middle of nowhere

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Uma das coisas mais legais na minha trajetória profissional são os lugares e as pessoas bacanas que conheço. Tive a grata surpresa de conhecer um estúdio de gravação super bem equipado em plena estrada, num condomínio residencial. O dono do estúdio fez aquilo que muita gente gostaria de fazer e quase ninguém tem coragem. Foi morar num lugar tranquilo, bonito, com vista para as lagoas do Litoral Norte. No meio de lugar nenhum, encontra inspiração para compor. Num misto de encantamento e curiosidade, pergunto incrédula: dá para se manter trabalhando isolado aqui? Ele responde que tem altos e baixos, mas que é possível. Numa pausa para comer algo, em mais um dia de trabalho corrido, a conversa é sobre as coisas chatas do trabalho. E o sujeito sabiamente vem com essa: todo trabalho tem as chateações. Trabalho é assim mesmo! Chego de manh ã , cedo. Passo antes em algum lugar na beira da estrada para comprar um biscoito e um queijo colonial para acompanhar o café que vamos tomar ...

Eu acho que vou casar!

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A vida moderna é cheia de inovações. Amizades começam pela internet. Relacionamentos se mantêm graças a tecnologia. A internet me ajudou a aproximar-me da família do meu pai na Guatemala. No Natal passado, nos conectamos todos pelo skype e substituímos o tradicional telefone pela webcam. Consigo manter amizades em todo o Brasil e no mundo graças as redes sociais. Conheci muitos namorados e filhos de amigas minhas somente pelas fotos que elas postam. Não é novidade nenhuma que compartilho no blog vários momentos importantes da minha vida. Nem podia ser diferente agora... Depois de manter um relacionamento a distância durante quatro anos, de passar por muitas viagens de ida e volta ao Chile, finamente (ufa!), vamos juntar os trapinhos! No início, confesso, fiquei meio incrédula e insegura. Nunca ninguém, na minha curta e intensa vida, havia feito uma proposta como essa. Vamos dividir uma vida juntos. Vamos começar uma nova etapa. Vamos? Vamos! Demorei a compreender que a prop...