Precisamos falar sobre Lindsay Clancy
Este texto não é uma reportagem jornalística, nem está baseado em uma investigação profunda. Trata-se de uma reflexão sincera e profunda de uma mãe que acompanhou ao longo dos últimos meses e de forma curiosa o julgamento de Lindsay Clancy. Se você ainda não sabe do que se trata, senta aí porque o assunto é sério.
O nome da norte-americana Lindsay Clancy tomou conta dos noticiários e das redes sociais recentemente durante o seu julgamento. Ela foi julgada pelo assassinato dos três filhos - Cora, de cinco anos, Dawson, de três anos, e Callan, de oito meses — na casa da família em Duxbury, Massachusetts, Estados Unidos. Em seguida, tentou suicidar-se cortando os pulsos e o pescoço e pulando da janela do segundo andar, sofrendo ferimentos que a deixaram paraplégica.
A tragédia familiar aconteceu em janeiro de 2023 e o marido de Lindsay, Patrick Clancy, foi quem a socorreu e encontrou as crianças sem vida no porão de casa. Um dos momentos mais tristes do julgamento foi no dia em os membros do júri ouviram a ligação de Patrick para o serviço de emergência. Esse áudio é confidencial e não foi liberado, mas há vários relatos de jornalistas e pela maneira que eles descrevem deve ter sido realmente desesperador reviver aquele momento de tanta dor.
O que mais marcou esse caso não foi a tragédia em si que essa família viveu, mas o posterior julgamento da mãe. O argumento da defesa foi de que Lindsay matou as crianças e atentou contra a própria vida num momento de tremenda fragilidade e devido à falha do sistema de saúde que não a tratou adequadamente.
A defesa de Lindsay foi liderada pelo advogado criminalista veterano Kevin Reddington. Ele argumentou que Lindsay havia sido diagnosticada erroneamente e medicada de forma inadequada, e que os profissionais de saúde que a atenderam ignoraram sinais de alerta, o que poderia ter evitado a morte das crianças e a tentativa de suicídio de Lindsay.
Durante o julgamento, muitas teorias conspiratórias também tentaram condenar a atitude do pai das crianças porque ele casou novamente e refez sua vida. Também começou um movimento grande de muitas mulheres que se manifestaram em solidariedade à acusada considerando que ela havia agido no auge de uma grande crise psicótica causada por graves problemas de saúde mental que não foram tratados adequadamente.
Depois de vários dias de debate entre os jurados, apenas um dos integrantes ainda tinha dúvida com relação ao veredito. Como eles não conseguiram chegar a uma decisão unanime, o julgamento foi considerado nulo. Ainda não se sabe se haverá um novo julgamento contra Lindsay.
Esse caso me fez pensar muito em como a sociedade exige das mães. Essa exigência constante, todos os dias, acaba com o emocional de muitas mulheres. Em algum momento, alguma mãe, vai falhar e aí o mundo todo tem uma opinião a respeito da maternidade. É muito difícil maternar nesse mundo, ser uma mulher, se amar, se cuidar, muito difícil. A história dessa família é muito triste porque podia ter sido evitada, não precisava ter esse desfecho.
Acompanhei esse caso na mesma semana em que uma colega do trabalho, com uma bebê de sete meses, pediu demissão. Ela não pode voltar a trabalhar porque não tinha quem cuidasse do bebê, não tinha dinheiro para pagar uma creche, ficou numa encruzilhada. Isso é ser mãe nesse mundo, cortar um pedacinho de quem você é para seguir viva.
Tem muita coisa errada e pouca coisa vai mudar se a gente não cuidar das infâncias e das mães. Não adianta nada ter dia das mães, dia das crianças, nem dia da mulher se todas elas são negligenciadas diariamente na nossa sociedade. Sim, amigos, é um texto denso, triste e duro. Porque nessa história não tem um final feliz, ela continua sendo contada todos os dias mesmo que não seja manchete nas notícias,
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