Uma viagem gastronômica

Uma das coisas mais legais quando a gente mora em outro país é ter contato com uma nova cultura e isso inclui a gastronomia. Provar receitas diferentes, conhecer novos sabores e surpreender-se com a variedade de temperos e preparações faz parte da aventura de imigrante. 

Photo by silvia trigo on Unsplash

Essa experiência pode ser ainda melhor quando você mora num dos países que tem a segunda maior proporção de imigrantes na América Latina. De cada três novos habitantes no Chile, dois são imigrantes. Pode ser uma surpresa para muita gente, mas não para os chilenos que já estão acostumados aos diferentes sotaques dos vizinhos que recebem por aqui. 

Em primeiro lugar, estão os venezuelanos – situação que se repete em quase todos os países do continente. Em seguida, aparecem os peruanos como a nacionalidade dos que mais imigram para o Chile. Por conta disso, é muito comum a presença da gastronomia peruana em Santiago. Há vários restaurantes e também é possível encontrar com facilidade ingredientes, temperos, verduras e frutas do Peru por aqui. Isso inclui o mamão - que eles chamam de papaya -, e corresponde à variedade conhecida como “espanhola” no Brasil. De vez em quando, eu cometo uma extravagância e compro um na feira, mas é caríssimo!

Para minha sorte, uma das melhores amigas da Gabi na escola é filha de peruanos imigrantes. Todas as vezes que eles nos convidam para uma visita, o cardápio é de dar água na boca. Qualquer receita simples elaborada por eles é uma delícia, como por exemplo uma refrescante limonada que eles serviram na nossa primeira visita no ano passado durante um dia de verão escaldante de Santiago. Naquela ocasião, o almoço preparado pela Marbely, a dona da casa, foi um delicioso ceviche. O peixe que ela usou foi reineta, temperada com muito limão. O destaque ficou para a pimenta, que - segundo a anfitriã - quanto mais, melhor.

Esse ano, recebemos um novo convite e, claro, fomos recebidos com uma nova preparação. Para beber, “chicha morada” um suco refrescante, de cor roxa por causa do ingrediente principal: o milho roxo peruano, que é fervido em água. Depois de fermentado, o caldo é misturado a outros ingredientes - cascas de abacaxi e de maçã, além de algumas especiarias (canela e cravo). Fica uma delícia além de ser uma bebida muito saudável e rica em antioxidantes. 

O prato principal servido foi “aji de gallina” (pimentão de galinha) cuja base do prato é um creme de pimenta com frango desfiado. É servido sobre uma batata cozida com arroz como acompanhamento, azeitona preta e meio ovo partido para decorar. Eu adoro essa receita e já tinha comido num restaurante de gastronomia do Peru, mas foi a primeira vez que comi uma preparação caseira e amei!

Foi uma tarde muito agradável. A gente conversou bastante, rimos e comemos muito! Um grupo de amigos da dona da casa tinha acabado de voltar de uma viagem ao Brasil e eles contaram várias histórias. Estavam encantados e, obviamente, loucos para voltar. 

Eu também fiquei com vontade de voltar à casa da Marbely não só por causa da gastronomia peruana de primeira, mas principalmente pelo carinho das pessoas naquela tarde quente de fevereiro. As meninas aproveitaram para matar a saudade e, por algumas horas, viajei a outro país sem sair do Chile. Um privilégio que poucos têm a oportunidade de viver. 

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