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Precisamos falar sobre Lindsay Clancy

Este texto não é uma reportagem jornalística, nem está baseado em uma investigação profunda. Trata-se de uma reflexão sincera e profunda de uma mãe que acompanhou ao longo dos últimos meses e de forma curiosa o julgamento de Lindsay Clancy. Se você ainda não sabe do que se trata, senta aí porque o assunto é sério. O nome da norte-americana Lindsay Clancy tomou conta dos noticiários e das redes sociais recentemente durante o seu julgamento. Ela foi julgada pelo assassinato dos três filhos - Cora, de cinco anos, Dawson, de três anos, e Callan, de oito meses — na casa da família em Duxbury, Massachusetts, Estados Unidos. Em seguida, tentou suicidar-se cortando os pulsos e o pescoço e pulando da janela do segundo andar, sofrendo ferimentos que a deixaram paraplégica.  A tragédia familiar aconteceu em janeiro de 2023 e o marido de Lindsay, Patrick Clancy , foi quem a socorreu e encontrou as crianças sem vida no porão de casa. Um dos momentos mais tristes do julgamento foi no dia em os ...

Os livros que li nos últimos meses

Do pouco que eu li, ficaram ótimas lembranças e reflexões para compartilhar com vocês. Não foram tantos livros assim, mas foi o que eu consegui dar conta conciliando minha vida de mãe, imigrante e trabalhadora. Vou logo avisando que são livros em português comprados na minha última viagem ao Brasil. Espero que vocês gostem das minhas leituras dos últimos meses. Sempre quando viajo ao Brasil, compro livros para trazer ao Chile já que aqui eles são bem mais caros por conta do IVA (Impuesto al Valor Agregado). O consumidor final paga o imposto ao comprar um produto ou contratar um serviço (ele já está incluído no preço final do recibo ou da nota fiscal). É um tributo que pesa tanto nas compras que em algumas livrarias existe uma categoria chamada “Libros sin IVA” porque realmente faz uma grande diferença. Além disso, existem muitos lançamentos que chegam primeiro ao mercado brasileiro. É o caso das publicações da escritora francesa Virginie Grimaldi que tem quase toda a sua coleção dispon...

A primeira entrevista no Chile sobre o meu livro

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Eu adoro dar entrevistas, principalmente, quando o assunto é o meu primeiro livro, Viajando na Cordilheira, um diário de vida, não de viagem. Semana passada foi a minha primeira entrevista para uma rádio aqui no Chile. Foi um convite da minha querida amiga Eugênia, acadêmica da Universidad de Santiago. Ela comanda um programa semanal chamado A Hora da Saudade . As entrevistas são previamente gravadas e a seleção musical fica a cargo do entrevistado. A gente tentou marcar durante várias semanas, mas sempre tinha um imprevisto. Até que numa segunda-feira muito gelada conseguimos gravar. Cheguei antes e fiquei esperando a Eugênia no portão de entrada da universidade, do lado de dentro, como ela reforçou ao mandar as instruções.   Eu já tinha entrado na Usach há muitos anos para assistir a um colóquio com o Guilherme Boulos e a Manuela D’Ávila, que contou com a lustre presença do Emir Sader na plateia. Só que dessa vez a grande atração era euzinha, uma hora inteira de programa par...

8 vezes em que fui muito feliz nos últimos meses

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Nosotros Esse ano tem sido muito agitado com atividades quase sempre nos finais de semana. Isso quando os eventos não acontecem em dias de semana. Obviamente sou uma grande apreciadora desse ritmo disruptivo. Por outro lado, acabo ficando sem tempo para escrever no meu querido blog. Por isso, selecionei oito vezes em que fui muito feliz nos últimos meses aqui em Santiago. Divido agora com vocês esses momentos. 1. Show do Gilberto Gil no Movistar Arena Um dos melhores momentos desse ano, com certeza, foi o show da ultima turnê do Gilberto Gil aqui em Santiago. O show foi no Movistar Arena e eu nunca tinha ido a nenhum evento nesse lugar que é realmente muito bonito e tem uma acústica maravilhosa. Foi perfeito! O Cristián comprou as entradas para a gente ir juntos como presente no Dia dos Namorados (14 de fevereiro, San Valentín). Saímos daqui de casa com duas amigas que também compraram as entradas em lugares diferentes. Enquanto esperávamos o início do show, tomamos algo e nesse momen...

Esqueceram de mim (ou quase isso)

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Moro há 13 anos no Chile e, desse período, levo quase metade do tempo trabalhando no mesmo lugar. Comecei como freelance e hoje sou contratada. Depois da pandemia, a empresa adotou o sistema híbrido de trabalho: vamos um dia presencial e outro remoto. Alguns colegas com mais tempo de serviço - como eu-, nunca voltaram presencialmente. Já pedi várias vezes para trabalhar totalmente remoto, mas em todas a resposta foi um redondo não. No dia 20 de maio, quando completei 50 anos de idade, era dia de jornada presencial. Foi um dos dias mais tristes da minha vida. Ninguém me deu os parabéns. Toda vez que alguém está de aniversário, mandam um e-mail coletivo para que todos cumprimentem o aniversariante do dia. Justo no meu dia, a pessoa responsável pelo envio, não mandou aquele e-mail. Alguns colegas, inclusive, ganham balões no posto de trabalho, com direito à torta e cumpleaños feliz a pleno pulmão. Eu não ganhei absolutamente nada disso. Foi muito chato porque na semana anterior uma colega...

Duas vezes em que não usei meus direitos trabalhistas no Chile

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Photo by Markus Winkler on Unsplash Existem leis trabalhistas no Chile? Existem. Todos respeitam essa legislação? Nem sempre. Entre o que diz o papel e que a realidade permite há um longo caminho. A verdade é que a legislação trabalhista no Chile deixa muito a desejar em comparação com a famosa CLT brasileira. Isso porque na ditadura militar o Plano Trabalhista adotado levou a que, atualmente, apenas 8% dos trabalhadores chilenos negociem coletivamente e 74% ganhem menos de US$ 400.000 líquidos, segundo dados da Fundación SOL . O trabalhador é uma força individual que deve negociar diretamente com o empregador. Sem uma negociação coletiva, como categoria, fica muito difícil medir forças e, quase sempre, quem paga o pato é o lado mais fraco dessa equação. No meu caso, tive dois momentos em que senti na pele essa fragilidade. A primeira foi quando abri mão do meu direito, previsto em lei , de amamentar minha filha. No Chile, as mães trabalhadoras têm o direito de amamentar seus filhos, m...

Uma viagem gastronômica

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Uma das coisas mais legais quando a gente mora em outro país é ter contato com uma nova cultura e isso inclui a gastronomia. Provar receitas diferentes, conhecer novos sabores e surpreender-se com a variedade de temperos e preparações faz parte da aventura de imigrante.  Photo by silvia trigo on Unsplash Essa experiência pode ser ainda melhor quando você mora num dos países que tem a segunda maior proporção de imigrantes na América Latina . De cada três novos habitantes no Chile, dois são imigrantes. Pode ser uma surpresa para muita gente, mas não para os chilenos que já estão acostumados aos diferentes sotaques dos vizinhos que recebem por aqui.  Em primeiro lugar, estão os venezuelanos – situação que se repete em quase todos os países do continente. Em seguida, aparecem os peruanos como a nacionalidade dos que mais imigram para o Chile. Por conta disso, é muito comum a presença da gastronomia peruana em Santiago. Há vários restaurantes e também é possível encontrar com faci...