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Esqueceram de mim (ou quase isso)

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Moro há 13 anos no Chile e, desse período, levo quase metade do tempo trabalhando no mesmo lugar. Comecei como freelance e hoje sou contratada. Depois da pandemia, a empresa adotou o sistema híbrido de trabalho: vamos um dia presencial e outro remoto. Alguns colegas com mais tempo de serviço - como eu-, nunca voltaram presencialmente. Já pedi várias vezes para trabalhar totalmente remoto, mas em todas a resposta foi um redondo não. No dia 20 de maio, quando completei 50 anos de idade, era dia de jornada presencial. Foi um dos dias mais tristes da minha vida. Ninguém me deu os parabéns. Toda vez que alguém está de aniversário, mandam um e-mail coletivo para que todos cumprimentem o aniversariante do dia. Justo no meu dia, a pessoa responsável pelo envio, não mandou aquele e-mail. Alguns colegas, inclusive, ganham balões no posto de trabalho, com direito à torta e cumpleaños feliz a pleno pulmão. Eu não ganhei absolutamente nada disso. Foi muito chato porque na semana anterior uma colega...

Duas vezes em que não usei meus direitos trabalhistas no Chile

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Photo by Markus Winkler on Unsplash Existem leis trabalhistas no Chile? Existem. Todos respeitam essa legislação? Nem sempre. Entre o que diz o papel e que a realidade permite há um longo caminho. A verdade é que a legislação trabalhista no Chile deixa muito a desejar em comparação com a famosa CLT brasileira. Isso porque na ditadura militar o Plano Trabalhista adotado levou a que, atualmente, apenas 8% dos trabalhadores chilenos negociem coletivamente e 74% ganhem menos de US$ 400.000 líquidos, segundo dados da Fundación SOL . O trabalhador é uma força individual que deve negociar diretamente com o empregador. Sem uma negociação coletiva, como categoria, fica muito difícil medir forças e, quase sempre, quem paga o pato é o lado mais fraco dessa equação. No meu caso, tive dois momentos em que senti na pele essa fragilidade. A primeira foi quando abri mão do meu direito, previsto em lei , de amamentar minha filha. No Chile, as mães trabalhadoras têm o direito de amamentar seus filhos, m...

Uma viagem gastronômica

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Uma das coisas mais legais quando a gente mora em outro país é ter contato com uma nova cultura e isso inclui a gastronomia. Provar receitas diferentes, conhecer novos sabores e surpreender-se com a variedade de temperos e preparações faz parte da aventura de imigrante.  Photo by silvia trigo on Unsplash Essa experiência pode ser ainda melhor quando você mora num dos países que tem a segunda maior proporção de imigrantes na América Latina . De cada três novos habitantes no Chile, dois são imigrantes. Pode ser uma surpresa para muita gente, mas não para os chilenos que já estão acostumados aos diferentes sotaques dos vizinhos que recebem por aqui.  Em primeiro lugar, estão os venezuelanos – situação que se repete em quase todos os países do continente. Em seguida, aparecem os peruanos como a nacionalidade dos que mais imigram para o Chile. Por conta disso, é muito comum a presença da gastronomia peruana em Santiago. Há vários restaurantes e também é possível encontrar com faci...

Janeiro, sempre o primeiro

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Antes que termine janeiro, o primeiro mês do ano, publico esse texto com uma breve retrospectiva não apenas desse início de 2026, como também de dezembro de 2025. Teve de tudo um pouco: viagem, férias, lançamento de livro, praia e montanha. As paisagens mudaram muito e misturaram a diversidade do Brasil e do Chile, os países que habitam meu coração. Termas del Plomo, Foto: Cristián Carvallo Foix Dezembro Em dezembro, o principal acontecimento foi, sem dúvida alguma, o lançamento do meu primeiro livro. “Viajando na Cordilheira – um diário de vida, não de viagem” é uma coletânea de textos publicados aqui no blog ao longo de 12 anos. As crônicas revisitam momentos importantes da minha vida no Chile: a maternidade, a adaptação, as viagens, as descobertas, as frustrações e as conquistas nessa jornada. A ideia surgiu depois que uma ex-colega de faculdade publicou um texto numa rede social oferecendo seus serviços de coordenação editorial para novos escritores. Na hora que vi aquilo pensei: e...

O que ninguém te conta sobre envelhecer

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Essa semana vi um vídeo muito engraçado com a atriz espanhola Petite Lorena sobre ser mulher atualmente. Dei muita risada com o texto e a interpretação dela a respeito do protocolo infinito de bem-estar e cuidado feminino. É uma coisa muito chata mesmo e desgastante. Photo by Amisha Nakhwa on Unsplash No vídeo ela começa falando da dificuldade de ser mulher e conciliar os cuidados com a aparência, a vida profissional e pessoal, além da preocupação com a saúde. Como se não fosse suficiente, é necessário cuidar da saúde física (fazendo exercícios) e mental (indo a terapia). Sem esquecer da alimentação porque temos que comer um monte de coisas essenciais e cortar tudo aquilo que faz mal (e quase sempre é muito gostoso). A lista continua com as exigências maternas e a expectativa da sociedade que insiste em estabelecer padrões cada vez mais difíceis de atingir. Finalmente, para ser uma mulher feliz, você tem que ter um bom companheiro. Como encontrar esse parceiro? Se você encontrou, que ...

Terminou setembro

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Photo by Macarena Ollarzú on Unsplash Terminou setembro, me despeço desse mês de primavera, de encontros, de risadas, de família e amigos, de festas e celebrações, de calorzinho nos últimos dias de inverno chileno. Foi tão gostoso como há muito tempo eu não vivia, apesar dos problemas gigantes que não nos deram nenhum dia de trégua, mas parece que já nos acostumamos a existir no meio do caos. Teve aniversário de criança (que há muito tempo não dava o ar da graça por aqui) e ali no meio daquele festejo surgiu uma ideia. Que tal um churrasco entre amigos na varanda do apartamento novo nas festas pátrias?   Antes da tradicional celebração que anima os chilenos durante um mês inteiro, chegou minha prima querida de Porto Alegre com o maridão. Vieram curtir uns dias na cordilheira e passaram uns dias no Chile e na Argentina. Como é bom rever rostos conhecidos, abraçar pessoas queridas, conversar em português e rir muito! Até a risada é diferente... O sentimento de pertencer a um clã não ...

Mãe, imigrante e amiga trabalhadora

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Fim de semana passado escrevi sobre os eventos do fim de semana e um deles foi bem especial: um churrasco com um grupo de brasileiros que moram no Chile. Já participei de vários grupos desse tipo, mas nenhum é tão animado e alto astral como esse. Tive muitas experiências com brasileiros aqui no Chile e algumas delas foram bem desagradáveis, diria até traumáticas. Sabe por que isso acontece? Porque muitas dessas pessoas assimilam o que existe de pior na sociedade chilena que é o “arribismo”. Antes que você fique em dúvida e se pergunte: o que é isso? Eu explico. O arribista no Chile nada mais é do que conhecemos como emergentes no Brasil, ou seja, pessoas de classe média que, às vezes, têm uma situação econômica um pouquinho melhor e já se acham novos ricos. É aquela pessoa ambiciosa que valoriza bens materiais, status, alguém que aparenta ter uma situação sócio econômica que, muitas vezes, não condiz com a sua realidade. Essas pessoas geralmente julgam os demais por coisas como: as rou...