A difícil tarefa de cuidar dos cachos fora do Brasil

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Se você é brasileira, não tem cabelo liso (ou alisado) e mora fora do Brasil, esse texto é para você. Certamente você já experimentou a frustração de não encontrar profissionais para o seu tipo de cabelo, muito menos conseguir produtos adequados para o tratamento do seu fio. Vou te contar agora como tenho sobrevivido no Chile a essas situações desde que abandonei os alisados com químicas.

Durante muitos anos, alisava meu cabelo. Pelas minhas contas comecei em 2008 mais ou menos e abandonei o alisado quando começaram os primeiros sintomas da menopausa. Eu que tenho hipotireoidismo e sempre sofri com queda de cabelo, comecei a notar que o problema se acentuava. Além disso, os poucos cabelos que nasciam, vinham brancos.


Pensei comigo: ou pintura, ou alisado porque esse cabelo fino e fraco não vai conseguir superar tanta coisa ao mesmo tempo. O primeiro passo foi procurar uma cabeleireira brasileira especialista em cachos. Não recomendo esta experiência para ninguém. No meu caso, consegui hora com uma menina que tinha boa vontade, mas estava recém começando no ramo. Ela entendia muito pouco do assunto e talvez hoje ela tenha mais quilômetros rodados, mas naquele momento, foi uma péssima decisão. Ela fez um corte tão ruim que quando fui a Porto Alegre, meses depois, a cabeleireira que me atendeu ficou em choque com o formato (ou falta dele) no meu corte de cabelo. 


O primeiro passo para quem quer fazer transição capilar e tem queda de cabelo (que é o meu caso) é procurar um dermatologista especialista em queda de cabelo. Consegui uma excelente profissional numa clínica perto da minha casa. A doutora me examinou de cabo a rabo e, naquela ocasião, me recomendou um xampu específico para o meu problema, vitaminas, um tônico para queda de cabelo. Em total foram 5 produtos para um tratamento de dois meses.


Depois desse período, voltei para como seguia e, depois de analisar meus exames, a doutora soltou um: queda de cabelo também pode ser por estresse. A partir dali, procurei me dedicar mais à minha saúde mental que a qualquer problema físico que pudesse provocar perda de mais fios. Já se vão dois anos e posso dizer que recuperei boa parte da minha cabeleira. 


O que mudou na minha vida? Tento evitar estresse, faço atividade física, cuida da alimentação, entre otras cositas más. Corto o cabelo uma vez ao ano quando vou ao Brasil. Não confio em nenhum cabeleireiro no Chile, não tem jeito. A manutenção com o corte das pontas eu mesma faço em casa. 


Depois de pesquisar muito em tutoriais de finalização que nunca deram certo com meu cabelo fino e ralo, voltei às minhas origens. Uso apenas um pente de madeira com cerdas separadas. É muito difícil encontrar as mesmas marcas que existem no Brasil para cabelo cacheado e muitas vezes o preço não compensa. 


Uma excelente alternativa são os produtos da Natura que quase sempre compro quando estão em oferta por aqui. A máscara Ekos Patuá é a melhor até agora, além do xampu e condicionador da linha Lumina. Para finalizar, menos é mais. Depois de provar muitos produtos (muitos mesmo!) de várias marcas diferentes, finalmente consegui encontrar a dupla infalível. Uso um shot para dar volume e um óleo para brilho e hidratação das pontas. A água do Chile tem muito calcário e o clima seco favorecem ao frizz. Por isso, durmo com o cabelo preso com um coque no alto da cabeça e uso uma fronha de cetim. 


Para o meu cabelo, deu certo. Cada caso é um caso, mas o que toda brasileira enfrenta morando fora do Brasil é essa dificuldade de encontrar bons profissionais para algo que é tão básico e acessível no Brasil, bem como variedade de produtos e boas marcas a preços acessíveis. Espero que minhas dicas ajudem alguém por aí!

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