Reflexões sobre a vida

Como tem acontecido com uma certa freqüência, fiquei vários dias sem atualizar o blog... Para muita gente o acontecimento da semana foi o casamento real. Para mim não.

Minha mais recente andança foi de volta ao pago. Traduzindo, para quem não é do sul, acabo de voltar de Porto Alegre. A viagem foi maravilhosa. Comemoração do aniversário da mamita no domingo de Páscoa.

Melhor ainda: juntar família e meu amor numa reunião familiar. Aproveitei bastante, mas agora que já estou de volta fico pensando que faltou tempo... Queria mais...

A volta, sempre sofrida e triste, me fez refletir sobre o quanto amo a minha família e como ela me faz falta. Viver longe de Porto Alegre não é difícil.

Ruim mesmo é ficar longe da família. Não sei como são as famílias de vocês, mas a minha é suepr animada, carinhosa, alegre e festeira.

Todos esses ingredientes formam o ninho perfeito, quase impossível de abandonar. Gosto muito da vida no Planalto, mas cada volta ao sul abala profundamente minhas estruturas.

Revira minha vida de ponta a cabeça. Me faz repensar nas minhas escolhas, profissionais e pessoais.

Estou num momento bem tranqüilo e feliz, apesar de toda a saudade da família. Gosto do meu trabalho, da minha casinha, da minha vidinha tranqüila.

Talvez eu queira mesmo uma vida mais tranqüila ainda. Falta pouco e sei que vou chegar lá....

Depois dessa viagem, recebi aqui em casa a visita da minha querida amiga Stelinha. Foi bom para reconfortar e não me sentir tão só.

Nesses dias em que Stelinha estava por aqui, antes de sair de casa, assistimos a uma parte do programa da Ana Maria Braga. Foi bem interessante.

Aliás, uma das melhores abordagens que vi na televisão brasileira a respeito da mulher que abandonou o filho num contêiner no meio da rua.

A matéria era sobre gravidez indesejada, depressão pós-parto, enfim, quadros de depressão que levam a atitudes extremas como essa.

Acho legal fazer esse tipo de reflexão. Todo mundo fala da maternidade como um grande sonho e para algumas mulheres pode ser simplesmente um pesadelo.

Não estou querendo aqui justificar a atitude dessa mulher, mas de analisar questões de fundo que nunca são faladas.

A gente não fala no Brasil em controle de natalidade, em planejamento familiar, em orientação sexual, em gravidez indesejada, em depressão pós-parto...

E é preciso enfrentar essas questões para evitar que esse tipo de notícia seja apenas mais uma ocorrência nos telejornais diários.

Todos esses acontecimentos que geram certa comoção merecem algum tipo de reflexão da nossa parte. Por que não fazer essa reflexão é deixar de buscar a evolução humana.

E fechando esse post de reflexões sobre a existência humana eu não poderia deixar de comentar aqui uma frase que tenho visto ser muito repetida por amigas.

Uma teoria que eu já escutei de um canastrão há alguns anos atrás e da qual eu discordo totalmente. A de que a gente nasce sozinho e morre sozinho.

Acredito que esse caminho é uma opção. A gente não nasce sozinho e se você for uma pessoa legal, certamente, não vai morrer sozinho.

O que a gente precisa aprender é a estar bem consigo mesmo. Gostar de si, conhecer-se melhor, mas nunca perder de vista que é na convivência com o outro que a gente evolui.

Com erros e acertos, a gente cresce é nessa troca. Se a gente se isola do mundo, fica muito fácil porque o inferno são os outros...

Todos nós, eu e você, todo mundo, tem seu lado B. Seu dark side. Mas temos também o livre arbítrio e podemos escolher por qual caminho vamos.

Crescer não é fácil. Amadurecer é bem difícil. Arcar com as conseqüências de suas próprias escolhas, certas ou erradas, é um processo bem doloroso. E muito particular.

Mas se você cometeu algum deslize, certamente, vai querer procurar um amigo, um familiar, alguém com quem dividir a sua dor. E isso também vai acontecer se você estiver feliz.

Tem uma frase super linda do livro e do filme “Na natureza selvagem” no qual o personagem escreve que “A alegria só é real quando é compartilhada”. Em qual contexto o cara escreveu isso?

Nosso herói literalmente rasgou dinheiro, tocou fogo e saiu em direção ao Alasca, sem lenço e sem documento. Queria viver sozinho, somente daquilo que a natureza lhe oferecia.

Depois de um tempo e de uma longa vivencia solitária, morreu sozinho no meio da neve. Deixou no diário a frase com a qual eu me identifico.

Apesar de estar aqui no meu Alasca, do alto do Planalto Central, preciso de todos vocês para dividir minhas alegrias e tristezas. Muito obrigada por serem parte da minha vida!

Comentários

  1. Que lindo Bela...

    Relacionar-se com o outro dá trabalho, nos tornamos responsáveis por quem cativamos como diria aquele pequeno príncipe, mas é tão verdadeiera a necessidade que temos desse outro, ou desses outros. Pelo menos para mim é. Precisamos do outro para existir. E depois de ser mãe vi que essa babozeira de que nascemos sozinhos é mentira. A começar pelo parto que é conjunto, mãe e filho, desejado ou não, trabalham juntos, se ajudam numa simbiose única e espetacular para de um tornam-se dois seres...

    Concordo com vc que a maternidade é na maioria das vezes "idealizada, santificada, quase".

    Fala-se pouco sobre as dificuldades nesse primeiro momento tão delicado quando a mulher se vê como mãe. Os hormônios atuando loucamente no corpo dessa pessoa que antes era uma e agora se vê como duas, por que afinal sua cria é parte de si.

    Existem outras condições pouco faladas no Brasil, mas muito discutidas aqui nos EUA, como a ansiedade pós-parto, que não é exatamente uma depressão, mas abala a mulher de uma forma impactante e se não reconhecida e tratada pode trazer consequencias irreversíveis para a família. Como vc não quero justificar as "barbaridades" cometidas contra recém nascidos por suas mães. Não as julgo. Olho para essas mulheres e vejo desespero, desamparo, desajuste...

    É bom refletir sobre o que vemos e aprender a julgar menos. Ao longo da minha caminhada venho percebendo que a cada pingo de julgamento que tenho em relação ao outro, o destino me oferece o mesmo "sapato" para que eu calçe e sinta nos pés os calos...

    Humildade é a minha palavra da vez.

    Beijos querida e lembre-se que saudade só existe na vida daqueles que amam e são muito amados!
    Pat Guanais

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  2. Pat, que lindo mesmo! Adorei o que você escreveu! I couldn't agree more! Eu apenas acrescentaria que sua palavra não é apenas humildade, mas também generosidade, algo raro nos dias de hoje. Grande beijo para você!

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  3. Querida, lindo post! Trouxe a tona a indagação constante que tenho feito esses dias: ninguém vai falar do estado psicológico dessa mãe? Não dá pra ver que é uma pessoa adoecida?!
    Saudades e beijos grandes!

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  4. Myla, muita, muita, muita saudade!!! Bom saber que tem mais mulheres pensando nas outras mulheres de um jeito sensível e delicado! Super beijo!

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